
A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), uma nova fase da Operação Sem Desconto, destinada a investigar um amplo esquema de fraudes envolvendo descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Nesta etapa da ação, foram cumpridos 52 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão preventiva, todos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As diligências ocorrem em vários estados do Brasil, incluindo São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, além do Distrito Federal.
Um dos alvos da operação é o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que teve ordens de busca cumpridas em endereços vinculados a ele, segundo apuração dos veículos de imprensa. O parlamentar, que é vice-líder do governo no Senado, ainda não se manifestou oficialmente sobre a investigação.
A Operação Sem Desconto apura a atuação de uma organização criminosa que aplicava descontos indevidos em aposentadorias e pensões, como se os beneficiários tivessem autorizado a participação em associações ou entidades. A Polícia Federal investiga a possível inserção de dados falsos em sistemas oficiais, estelionato previdenciário, constituição de organização criminosa e atos de ocultação patrimonial.
O esquema, que já vinha sendo investigado desde abril de 2025, pode ter causado prejuízos bilionários aos cofres públicos e retirado renda de aposentados e pensionistas sem o consentimento deles. Estudos e apurações anteriores indicam que o total de descontos irregulares pode ultrapassar R$ 6 bilhões no período entre 2019 e 2024, embora os números ainda estejam sendo atualizados conforme a fase atual da investigação.
Em comunicado, a Polícia Federal ressaltou a importância da colaboração com a CGU para aprofundar a investigação e identificar todos os envolvidos, incluindo responsáveis por operacionalizar o esquema em diferentes regiões do país. As ações de busca visam reunir provas documentais, eletrônicas e financeiras que contribuam para esclarecer a participação de órgãos, entidades e indivíduos envolvidos nas fraudes.
O INSS também tem colaborado com as autoridades, reforçando que medidas de proteção ao benefício previdenciário e mecanismos de auditoria são essenciais para coibir práticas criminosas que exploram vulnerabilidades do sistema.