
O médico Rodrigo da Cunha Barbosa, filho do ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa, deverá utilizar tornozeleira eletrônica para cumprir parte da pena por crimes de corrupção passiva e participação em organização criminosa.
A decisão foi assinada no dia 4 deste mês pela juíza Mônica Catarina Perri, da Vara de Execuções Penais, que determinou a continuidade do cumprimento da pena em regime semiaberto com monitoramento eletrônico.
Rodrigo foi condenado em 2016 a 9 anos, 4 meses e 27 dias de prisão, no âmbito das investigações da Operação Sodoma, que apurou fraudes fiscais durante a gestão estadual entre os anos de 2010 e 2014.
A defesa do médico recorreu da sentença, alegando erro no cálculo da pena e defendendo que o total correto seria de 6 anos e 27 dias. Também sustentou que o acordo de colaboração premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), em 2017, e homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), permitiria o cumprimento da pena em regime aberto diferenciado.
No entanto, ao analisar o caso, a magistrada destacou que o acordo prevê o cumprimento da pena em duas etapas. A primeira consiste em dois anos em regime semiaberto diferenciado, com uso obrigatório de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar no período noturno, entre 22h e 6h.
A segunda etapa prevê o cumprimento do restante da pena em regime aberto diferenciado, sem necessidade de monitoramento eletrônico, mas com a obrigação de comparecimento mensal à Justiça para informar atividades e endereço.
De acordo com a decisão, Rodrigo ainda não completou o período da primeira fase, restando 315 dias para o encerramento dessa etapa, o que justifica a manutenção do monitoramento eletrônico.
Segundo as investigações da Polícia Civil, ele teria participado de um esquema de recebimento de propina durante o governo estadual, integrando organização criminosa ligada à gestão da época.
O médico chegou a ser preso preventivamente em Cuiabá durante as investigações, mas foi liberado dias depois.