
O governo federal atualizou nesta segunda-feira (6) o cadastro conhecido como “lista suja” do trabalho escravo, documento público que reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão no Brasil.
A atualização divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego incluiu 169 novos empregadores, sendo 102 pessoas físicas e 67 empresas. Com isso, o total de nomes no cadastro chega a cerca de 613.
Entre os novos registros estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD.
De acordo com os dados divulgados, as atividades econômicas com maior número de empregadores incluídos nesta atualização foram serviços domésticos, criação de bovinos para corte, cultivo de café, construção de edifícios e serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita.
Segundo o governo federal, os novos casos incluídos no cadastro resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situações consideradas de exploração ou trabalho análogo à escravidão.
Os registros incluídos nesta atualização correspondem a ocorrências identificadas entre 2020 e 2025 em 22 unidades da Federação. Entre os estados com maior número de empregadores listados estão Minas Gerais, São Paulo e Bahia. O estado de Mato Grosso aparece com sete empregadores incluídos.
No caso da BYD, a inclusão no cadastro ocorreu após o resgate de trabalhadores chineses durante obras da fábrica da empresa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, em dezembro de 2024.
Segundo as autoridades, os trabalhadores foram encontrados em alojamentos considerados inadequados, com problemas de higiene e conforto. Também foram relatadas jornadas de trabalho consideradas exaustivas e retenção de passaportes.
Na ocasião, a montadora informou que as irregularidades teriam sido cometidas por uma construtora terceirizada contratada para executar as obras e afirmou ter encerrado o contrato com a empresa responsável.
Posteriormente, foi firmado um acordo de R$ 40 milhões entre a empresa e o Ministério Público do Trabalho para encerrar uma ação civil pública relacionada ao caso.
O nome do cantor Amado Batista aparece em duas autuações registradas em propriedades localizadas no município de Goianápolis. As ocorrências envolvem trabalhadores encontrados em atividades rurais em 2024.
Em nota divulgada à imprensa, a assessoria do artista afirmou que as informações sobre suposto resgate de trabalhadores seriam “falsas e inverídicas”. Segundo o posicionamento, houve fiscalização em uma fazenda arrendada para o plantio de milho, na qual foram apontadas irregularidades na contratação de trabalhadores vinculados a uma empresa terceirizada.
Ainda conforme a nota, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho e as obrigações trabalhistas teriam sido regularizadas.
A chamada “lista suja” foi criada em 2004 e é atualizada semestralmente, geralmente nos meses de abril e outubro.
Os nomes são incluídos no cadastro apenas após a conclusão do processo administrativo, quando não há mais possibilidade de recurso.
Em regra, cada empregador permanece na lista por dois anos. Durante esse período, empresas e pessoas físicas podem sofrer restrições comerciais, já que muitas instituições financeiras e empresas utilizam o cadastro como critério para concessão de crédito ou contratos.
Desde a criação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, em 1995, mais de 68 mil trabalhadores já foram resgatados de situações análogas à escravidão em todo o país.